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Killer Joe

  • Foto do escritor: Ana Cesário
    Ana Cesário
  • 10 de jul. de 2022
  • 5 min de leitura

KILLER JOE | 92 min | Estados Unidos | 2011

| Thirller | Crime |

Direção: William Friedkin



Matthew McConaughey - Joe 'Killer Joe' Cooper Emile Hirsch - Chris Smith Juno Temple - Dottie Smith Gina Gershon - Sharla Smith Thomas Haden Church - Ansel Smith

ttie Smith




Killer Joe. Estou escrevendo sobre esse filme e garanto que vou dar todos os spoilers possíveis pois estou fazendo uma campanha contra esse desserviço. Vocês já devem ter percebido que esses textos sobre filmes nesse blog também tem a função de escancarar a verdadeira misoginia que é o cinema, que apesar de belo e interessante ainda é capenga no básico do básico. Esse filme superou todas as minhas piores experiências. Se vc já viu essa porcaria leia, se não viu ainda leia também, pra que se acaso surja uma mínima curiosidade, vc já desista logo.



Chris, que é uma espécie de mocinho, é um jovem bem perdido na vida e estabanado. Ele tem uma dívida com traficantes locais. Acontece que ele convive com as pessoas da família dele que não são muito amigáveis também, uma família absolutamente violenta, mentirosa, e fica dando a entender que essas drogas foram roubadas pela própria mãe. A mãe de Chris é uma personagem que só existe no mundo das ideias da história, uma figura feminina aparentemente má, que tem um namorado chamado Rex. Um dia Chris chega na casa do pai, Ansel, que vive com a filha adolescente Dottie e a madrasta Sharla. Dottie é uma menina que tem no máximo 14 anos. A primeira cena em que ela aparece no filme ela está chorando no quarto no meio do seus brinquedos, os movimentos da câmera mostrando a atriz de uma forma totalmente sexual e obviamente pedófila neh. Af. Neste momento dessa cena, chove e Chris está chegando em casa pois precisa chamar o pai para uma conversa particular. Por algum motivo que agora eu me esqueci, Chris e Ansel quase saem na porrada mas acabam indo para uma boate de stripper para ter uma conversa particular. Um lugar onde verdadeiros machos têm conversas importantes. Acho muito curioso porque a indústria do cinema mistura tão comumente o pornô com a violência, vai entender neam. Enfim. O plano é: contratar o assassino de aluguel Joe para matar a tal da mãe, pegar o seguro de vida dela, cuja beneficiária seria Dottie, e assim poder pagar pelo assassinato, a dívida de 6 mil dólares e dividir o resto entre os membros da família. Em pouco tempo todos já sabem do plano, nessa hora que Joe entra de fato na história. Ele é a expressão mais caricata (que tenta ser séria) do macho alfa padrão. Sério vocês estão vendo essa foto e já dá pra ter uma ideia, ele tem uma expressão fixa praticamente em todas as cenas, ele é um macho que não se abala por qualquer besteirinha, rs.



Chris, o pai e Joe discutem sobre as condições, o pagamento tem que ser adiantado, mas obviamente Chris não tem essa grana e Joe não aceita logo de cara, mas quando vê pela primeira vez Dottie, fica completamente obcecado, e assim negocia com Chris e o pai a respeito de uma garantia sexual caso o dinheiro não aparecesse depois do assassinato, garantia essa que era a própria Dottie. Pasmem, eles aceitam. A primeira cena em que Joe e Dottie se encontram é absolutamente deprimente, ele todo lobo mau, e ela uma menininha tímida e subserviente. O perfeito lugar comum do jogo de poder do patriarcado. Ao mesmo tempo que ela também se envolve e rola uma tensão sexual da parte dela, a família de Dottie começa um processo de aliciamento muito pesado para que a garota tenha um encontro a sós com ele com um certo vestido preto. Genteeee uma menina adolescente imagina o tanto que é pesado assistir essa merda sendo mulher e feminista. Certo seria nem ter visto neh ;P.




Mas enfim, daí Killer Joe mata a tal da mulher, porém quando chega a hora, na verdade o beneficiário, não era Dottie e sim Rex, o namorado da mãe!!! Gente, é muito doido porque esse Rex quase não aparece no filme, mas ele é o namorado da mãe e o amante da Sharla, que por sua vez, é a esposa de Ansel (novela mexicana ao quadrado). Sharla é uma das personagens principais também, ela é uma mulher de meia idade que trabalha em um restaurante, e é com certeza a personagem mais violentada da história. Quando a família descobre que tudo deu errado. Chris insiste com Dottie que eles precisam fugir para o méxico, Joe Copper é uma pessoa perigosíssima, porém Dottie na sua inocência já está apaixonada e não aceita. Chris nesse momento do filme aparece com um lapso de humanidade, como uma pessoa "sensata" na família, mas nada anula o fato de que ele foi burro e inconsequente mesmo. Na última cena que é de uma violência tão absurda que nem tenho coragem de relatar toda aqui, o perverso Killer Joe dá uma de juiz da moral da família. Veio cobrar o seu dinheiro, pegar a sua garota, e além do mais se sente no direito de expor as fotos íntimas de Sharla com o seu amante. Sharla então é quase morta, são cenas explícitas. Ela, mulher adúltera, segundo a ética invertida de Cooper, merece o pior mesmo. Engraçado que Ansel, que é substancialmente um covarde, não faz nada e fica assistindo. Quando Chris chega em casa (com uma arma que conseguiu para matar Joe), ele encontra a casa toda quebrada, a madrasta com a cara ensanguentada, e Joe Cooper ordena que Sharla sirva a mesa para todos, como uma família feliz. Gente isso é um nível de degradação absurrrrdo da figura feminina no filme. Degradação direcionada à mulher mais velha, liberada sexualmente como os homens sempre foram. Obviamente rola o clichê mais absurdo, Chris no último momento não mata ninguém, mas Dottie pega a arma e mata o irmão, atira no pai, e quando aponta para Joe, diz que está grávida e o filme acaba. Dá a entender que ela vai matar, mas fica além da dúvida, o ódio mesmo por perder uma hora e meia do meu precioso tempo.



Sério, depois dessa não assisto mais filme estadunidense durante muuuito tempo, dei essa chance e me decepcionei grandão, mas achei tão extremo que resolvi botar no blog, tenho esperanças de encontrar pessoas que sintam o mesmo ódio que eu sinto como mulher nesse mundo. Já é difícil encontrar um filme, por mais lindo que seja, em que a figura feminina seja representada em pé de igualdade com a masculina. Mas Killer Joe se superou, é só uma aberração em forma de filme mesmo.

 
 
 

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